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Proust e seu livro

De certo o sabia, quem viveu com a vida e a obra emaranhadas, que viveu fazendo-as, refazendo-as, elastecendo-a em tempo e páginas, que vestiu sua obra, por dentro, percorrendo-a, viajando em seu barco, decerto viu que um dia acabá-la era matar-se em livro, suicidá-lo. (João Cabral de Melo Neto, Museu de tudo )

À la Baudelaire

A morte é o fim. Não é Deus, nem o amor. Somente a morte. As tentativas de evasão, sejam no mundo superficial da modernidade, sejam nos paraísos artificiais, são apenas tentativas. Fazer da feiura uma estética para alimentar o prazer de desagradar a aristocracia é magia verbal, imaginação criadora, paradoxo com idealidade vazia. O conflito da existência só se exprime, pois, com a contradição da poesia.

Para um novo ano

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Existe um imenso infinito através do muro.

intensamente

O passado insolúvel na memória remoto, distante, fugaz... Talvez efêmero, marca irrisória. Indelicada ilusão insiste em perdurar Nem todo o sentimento seria assaz. A espera cansativa e promissória despedaçar ja não faz E transforma-se, enfim, num motivo para suspirar.

Inquietação constante

O que podemos ser além daquilo que somos?

Envelhecer

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Estão juntos desde a juventude, tempo em que ainda não tinham conquistas, apenas sonhos e ambições. Tempo em que se paquerava na pracinha da cidade, tomando gelinho em frente ao coreto. Tempo em que quase não se viam carros. Tempo em que meninos e meninas não se misturavam na escola. Será que podiam prever o que o futuro lhes reservava? Eles se admiravam e estavam dispostos a construir um futuro juntos, e isso parecia bastar. Naturalmente, surgiu o amor, embora na época os casamentos fossem, também, realizados por inúmeros outros motivos. Foram anos de estudo, depois anos de trabalho, mas nunca deixaram de viver. Percorreram o mundo todo, criaram lindos filhos, cultivaram amigos, cuidaram de seu refúgio no campo tanto quanto do corpo e da mente. Hoje, o aconchego do lar, a coleção de leituras na estante e na mente, filmes quase todos, a Internet como aliada, a família distante e reunida, a satisfação de compartilhar a sabedoria com o jovem e a proeza de se permitir pequenas futilidade...

Por não estarem distraídos

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quan...